Sem vocês não havia Fado

Data de publicación: 19 de Novembro de 2007
Category: atlantico, blogoPonTe, contos, festa, lingua, musica, poesia

Camane Ao Camané o não conhecia antes do concerto. Um não se diz grande amante do fado só por ter na casa algúns discos mais deste gênero do que a média da população. Tenho que dizer que me pareceu fora de lugar, descolocado o Camané, contemplando o conjunto da actuação. A sua posta em cena, entre humilde e timorata, sempre com a mão esquerda no bolso das calças, semelhava abocá-lo ao papel de terceirão, e se não foi em discórdia foi por causa da sua voz, que brilhou nos dous últimos fados, após começar de forma muito fria. Um quer pensar que, com efeito, o Camané é um novo fadista da vella escola do fado, bom sabedor de que a fama e o reconhecimento dos puristas há chegar com o passo dos anos. Dizem que a calor de um certo público feminino já a tem. Mas no entanto, eu fico como estava, nem frio nem quente.

Mariza

Era a segunda vez que via e ouvia á Mariza no mesmo cenário. Se na primeira foi uma revelação autêntica que me tirou da cadeira fora, como cuido que aconteceu também con outras pessoas por ali perto, desta volta tive sensações um bocadinho diferentes. Mariza tem um chorro de voz fora de série, e conseguiu estremecer-me de veras em algumas passagens. Porém, essa combinação que formam a sua voz e a sua presença, essa montanha russa á que sobes sem duvidá-lo, con essas subidas e baixadas, com esses aceleros e essas pausas que te deixan por vezes pendurando de um ai, esse vai e vem já não é o da descoberta, o da vez primeira. O Barco Negro que ouvimos na sexta-feira e aquel outro do que goçamos no ciclo Sons da Diversidade não tiveram nada a ver, infortunadamente. E mesmo assim a sua actuação foi prodígio. Um tem a intuição de que esta mulher precisa romper o repertório clásico do fado e explorar novos registos, como também um tem a percepção de que algum fado tradicional estaria melhor cantado sem tanto adorno vogal. Modo ou moda, será essa a questão? Mariza é grande, e mais que vai ser, certamente, mas acho que não há tardar o dia em que irá viajar por outros territórios musicais.

Carlos_do_Carmo Tambén era a segunda vez que via ao Carlos do Carmo. Foi há 12 ou 13 anos, um já se não lembra, desde o galinheiro do Teatro Principal de Compostela. Eu já disse á Elianinha em uma outra ocasião: aquela havía sido a actuação solista masculina que mais me fez vibrar na minha vida. Assim que o repto de superar aquilo apresentava-se sumamente difícil. Foi só começar a falar o Carlos (Que faço eu falando castelão? Pensei que isto era Madrid ou Valladolid. Mas isto é outra coisa diferente) e já me dei conta de que o homem segue a ser um verdadeiro animal. É certo que já não tem a mesma voz e que alguma nota fora de lugar deixou-se ouvir na sala, mas o seu controlo dos ritmos das letras, das mensagens e das emoções desculpa, como não, essas imperfecções. Domina a situação, o cenário e mais ao público desde esses mais de 40 anos de experiência. Sabía que nos ía fazer cantar e assim o fez, vá senão. Grande o Carlos.

Quanto ao bailador do que falam Elianinha e o apicultor, a primeira impressão que teve do homem aquel foi a de um estivador saído de um pequeno porto galego qualquer. A segunda foi a de um intento de innovação que ficou a meio caminho. A terça é que essas coisas hai que as preparar melhor (suponho que uma tournée de só 2 concertos em Madrid e Compostela não é o terreno mais adequado para a experimentação). E a quarta, duvido de que o bailarim provocase sentimento positivo nenhum entre o público, quer feminino quer masculino (que nos ambientes portuários de todo há, por suposto).

E para rematar direi só que o recital foi muito breve. Menos de 2 horas (começou com atraso) com três grandes do fado sabem a bem pouco. Não sei se tinham ceia com o Presidente ou qual foi a ração. Mas 27 euros de entrada e patrocínios vários da Xunta e do Estado pareciam dar para mais.

P.S.: Podem seguir o debate inteiro en As uvas na Solaina.

Esta anotación publicouse o Luns 19 de Novembro de 2007 ás 11.32 am e arquivouse en atlantico, blogoPonTe, contos, festa, lingua, musica, poesia. Podes seguir os comentarios desta anotación a través do fluxo RSS 2.0. Podes deixar un comentario, ou deixar un rastro desde o teu propio sitio web.

3 comentarios a “Sem vocês não havia Fado”

#1

Como diría Don Manuel, non teño máis nada que dicir.

#2

Pensaba eu en contestar cun post no curioso… mais non sei cando chegará a contestación, se chega…

Realmente penso que Mariza nos malcriou. Penso que se espera dos fadistas a enerxía de Mariza. Penso que non se fala dos músicos, que son extremadamente bos.

Penso que foros dúas horas de espectáculo do máis alto nivel. Penso que sobrou o bailarín. Penso que andamos mal acostumados con isto de pagar por un bó espectáculo. Penso que non se valora o traballo dos artistas porque está todo subvencionado (isto é unha añadidura case publicitaria).

Penso en tres cantantes na Galiza que se acheguen a estos artistas lusos, e non atopo comparacións dignas.

Penso que Portugal e Galiza están de costas. Penso que Galiza segue sendo España para Portugal.

Penso que Carlos do Carmo manexa o escenario e o público coma ninguén.

Penso que Mariza ten unha presenza física e vocal que me pon a pel de galiña.

Gustoume ver o respeto e a atención de Mariza con Carlos do Carmo.

Camané sae perdendo nas comparacións, pero sen micro demostrou que é un gran cantante. Penso que está sobrevalorado. Penso que se está pondo nel unhas espectativas que non son as súas. Aínda así penso que canta moi ben. E penso que o outro día faltáballe emoción.

As tres cordas estiveron realmente compenetradas. A guitarra portuguesa realmente responde aos cantantes, xoga coas melodías, canta realmente. As violas acompañaron de maneira soberbia. Brillaron con luz propia sen restarlle protagonismo aos cantantes. Realmente difícil e realmente virtuoso.

É posible que me emocionara máis noutros concertos de Mariza. É posible que outros concertos estiveran máis redondos. Pero é totalmente certo que no concerto do outro día demostraron a grande calidade que posúen.

Díganme un cantante galego que estea a esta altura. Ogallá tivésemos unha soa voz que se achegara minimamente na Galiza.

#3

Tanto a Mariza como o Camané estiveron en Madrid, pero non puiden ir ve-los. Eso si, non me perdín á Mísia. E recoméndovos que, se tedes ocasión, non vo-la perdades tampouco vos.

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